Possível desativação de autódromo revolta pilotos da Stock no Rio
06 de maio de 2012 12h26
atualizado às 14h44
O decreto da Prefeitura do Rio de Janeiro que permite o uso
do espaço do Autódromo Nelson Piquet para fins comerciais e possibilita
legalmente a desativação da pista para a construção do parque olímpico
dos Jogos de 2016 revoltou os pilotos da Stock Car. Sobretudo os
cariocas, que começaram a correr em Jacarepaguá.
Ao saberem da possibilidade, os pilotos dispararam contra os políticos
pelo descaso com o automobilismo e se mostraram unânimes ao não
acreditarem na construção de uma nova pista em Deodoro, cujas obras já
deveriam ter começado em 2010.
"Não adianta falarem que tem um projeto em outro lugar, em Deodoro.
Efetivamente, ninguém viu nada. Como piloto, nunca chegou na minha mão
uma planta do autódromo ou a verba foi liberada. Outros estados como
Paraná e Rio Grande do Sul têm até três autódromos", lembrou o piloto
Cacá Bueno.
Já Duda Pamplona deu a entender que vê interesses além da esfera
esportiva para a desativação de Jacarepaguá sem que um novo circuito
esteja sendo construído:
"Comecei no kartódromo, o vi sendo destruído e jamais construíram um
novo. É difícil acreditar que vão construir algo se não houver interesse
político. Se o prefeito não gosta de automobilismo, não vai fazer. A
sensação é de que ninguém vai fazer nada. Não creio que a gente vá
correr no Rio em 2013", afirmou.
Apesar do decreto da Prefeitura, a etapa marcada para 15 de julho segue
ativa, pois não há tempo até lá para que a licitação das obras seja
concluída. A Confederação Brasileira de Automobilismo continua estudando
formas de fazer prevalecer o acordo judicial que impede o fim de
Jacarepaguá sem que um novo autódromo esteja pronto.
Cacá Bueno, que é tetracampeão da Stock Car e começou a carreira em
Jacarepaguá, desabafou. "O Rio não pode ficar sem automobilismo. É uma
vergonha. Sinto tristeza porque fui criado ali, toda a minha carreira
foi ali. Sou uma pessoa conhecida no automobilismo porque fui cria
daquele terreno. Não é correto destruir nenhuma praça esportiva em
detrimento de outra. Imaginem se a gente destruir o Maracanã para fazer
um autódromo ou um velódromo ali? Se há necessidade de fazer algo ali,
há uma necessidade gritante de se fazer um novo autódromo em outro
lugar. O estado não pode ficar sem automobilismo, pelo retorno que dá em
trabalhos temporários e permanentes, turismo, divulgação da cidade. O
Rio é o cartão postal do Brasil e precisa de um autódromo", disse.
A situação é a seguinte: toda vez que anunciam o "fim do autódromo", vários pilotos são procurados pela imprensa dita especializada para falar sobre o assunto, principalmente pilotos cariocas como Cacá e Duda Pamplona, eles falam, reclamam e coisa e tal e tudo pára por aí. Por quê?
Porque eles são "funcionários " da Globo, que controla a Stock e tem muito interesse que os Jogos aconteçam, não por terem a possibilidade de transmitir o evento, o que eu duvido, porque a Record já tem tudo assinado para continuar com as transmissões dos eventos pelos próximos anos, mas com a possibilidade de lucros paralelos, a transmissão por TV a cabo, e muitas outras coisas.
Não interessa a ela concorrer com a Record, porque o COI exige exclusividade e espaço pra seu evento e ela não abre mão dos horários de sua programação pra nada, basta ver que o futebol é regido pelo horário de suas novelas e a própria Stock larga as corridas no horário esdrúxulo de 10 da manhã, quando no mundo inteiro o evento principal de um final de semana larga no final da programação do dia, basta ver o horário do GP Brasil de F1, duas da tarde, como deve ser, mas se colocarem as corridas da Stock nesse horário, vai competir com Deus Futebol e não pode, porque não dá dinheiro e coisa e tal.
Ontem me perguntaram como foi que a F1 deixou o Rio de Janeiro para ir parar em São Paulo, coisa que muita gente atribui a decadência do nosso autódromo morimbundo. Eu não respondi corretamente, mas um amigo, que costuma publicar seus comentários aqui no blog, foi contundente: foi burrice de político, foram bater na porta da FOM pedindo uma fortuna para época, dois milhões de dólares, para a candidatura de um zé mané qualquer a um cargo eletivo, sei lá se era governador ou deputado, e isso acabou precipitando a ida do evento para São Paulo para não mais sair de lá.
O Rio tem a má fama de atrair políticos gananciosos e burros, a saída da F1 deu um baque nas finanças da cidade que pouca gente tomou conhecimento, mas a rede hoteleira, que lucrava horrores com o público da F1 que gastava bem mais que o turista que vinha pro carnaval, ficou fula, mas não podia se falar nada, pois na nossa pseudo-democracia não se pode protestar contra os mal-feitos dos governantes. Basta ver agora as repercussões do caso Cachoeira, só estão faltando mandar prender quem revelar as ligações espúrias do governador com o empresário-construtor-amigo-de-bicheiro.
Bom, mas como estava dizendo, esses protestos débeis feitos nos sites de notícias pouco ou nada vão alterar a situação, há um cronograma sendo executado, mas ainda há tempo para mudarmos alguma coisa, e para isso é necessário mais ação que palavras.
Todos lembram do twittaço que fizemos logo depois da F-Truck e que acertou em cheio o prefeito e sua gangue no dia da reunião com a CBA, o que deveria ser a comunicação de uma ordem de despejo se transformou em uma negociação tensa que perdura até hoje, e o seu último ato foi um decerto mudando a destinação do terreno do autódromo de uso esportivo para habitacional/comercial.
Em 2005/2006, o ex-prefeito Maia mudou a designação da região do autódromo, gabarito de prédio e destinação da área de residencial para comercial, para facilitar a implementação do projeto da RSP, esse projeto previa a destruição das arquibancadas e a construção de prédios comerciais ao longo da Abelardo Bueno onde hoje fica o estacionamento do autódromo.
Mas não mexeu dentro do terreno e sua destinação. Para fazer as obras, ele precisou de uma autorização da então governadora Rosinha Matheus para proceder a construção da Arena e do Parque Aquático, o Velódromo não afetou a instalação existente, foi praticamente um remendo em um pedaço sem uso da entrada do autódromo, não afetando o que estava construído.
A pergunta é: por que ele não emitiu esse decreto que o atual prefeito fez? Porque ele sabia que não podia, porque o terreno não pertence e nem nunca pertenceu ao município, sempre foi do estado, do Rio Previdência, e até que provem o contrário, me mostrando a página do Diario Oficial do Estado onde esteja escrito com todas as letras que o terreno foi repassado à prefeitura e que o Rio-Previdência está de acordo em perder seu lastro financeiro, com o qual ele garante o pagamento de todas as aposentadorias do estado, vou continuar acreditando que isso tudo é um processo de grilagem de terras em favor das construtoras, que há anos vêm destruindo a Barra da Tijuca com seus espigões e condomínios de luxo.
Para terminar, uma sugestão para o Sr. Gilberti Felli, do COI, que está chegando dia 14 pra saber qual o resultado dessa barafunda: já que a Sra Gleisi Hofmann irá receber os representantes da CBA e do consórcio no dia 10,dê uma olhada no espaço em frente do autódromo, no lado de fora, junto às arquibancadas: um amplo estacionamento, os pavilhões cabem perfeitamente ali, ao longo da avenida, sem derrubar um tijolo, nem arquibancada nem nada (se derrubar, é favor que depois reconstruam umas novas com técnicas modernas de concreto pré-moldado, como fizeram o Engenhão), seria uma solução inteligente, de baixo custo (se é que interessa aos envolvidos). Resolveria o problema de todo mundo, não destruiria o autódromo, não mexeria na Vila Autódromo, e principalmente, estaria de bom tamanho para os quinze dias de farra com nosso dinheiro que o COI tanto preza em fazer atropelando as leis e direitos dos países por onde passa.
E quanto aos pilotos: já que os senhores tanto querem protestar e reconheço que vocês estão certos, então vamos fazer a coisa direito: publiquem em seus perfis nas redes sociais a hashtag #ORionãopodeficarsemautódromo, com o link deste blog, ou de outros se preferirem, ou ainda, escrevam emails para a Sra Gleisi, e publiquem nas suas timelines e divulguem entre seus fãs clubes, peçam para que eles mandem para o twitter a hashtag para estes links:
Gleisi Hofmann - Ministra-Chefe da Casa Civil : @gleisi
Aldo Rebelo - Ministro dos esportes : @aldorebelo
Não precisam mandar para o Cabral ou o Paes porque eles não respondem mais por nada, em breve talvez nem estejam mais à frente de seus cargos, logo, temos que nos dirigir a quem de fato tem o poder de decisão nessa história.
É a hora de fazermos a coisa certa ou nos conformamos de não termos tido a atitude no momento que ela foi necessária, já se foram os tempos de manifestações nas ruas, é chamar para o confronto as forças da ordem pública para no dia seguinte sermos chamados de baderneiros e selvagens, temos que mostrar nossos argumentos e nossa coêrencia e a internet é a nossa principal arma, vamos à luta.
#ORionaopodeficarsemautódromo